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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Fina sintonia - Intérpretes são testemunhas privilegiadas da história. E costumam guardar segredos com rigor maior do que padres, médicos ou mordomos

Por: Dorrit Harazim

O encontro bilateral de alto nível começara de forma constrangedora. Sentados lado a lado no salão presidencial de Cartum, a capital do Sudão, o presidente Omar Hassan Bashir e a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice permaneciam mudos. Mal se moviam e evitavam se olhar. Estavam condenados ao silêncio. Do lado de fora, o intérprete Gamal Helal, única pessoa habilitada a descongelar aquela cena, se debatia para furar o cerco da segurança palaciana. A sina dos intérpretes é essa mesma: tendem a ser tão indispensáveis quanto desconhecidos. Só quando Helal conseguiu aninhar-se entre Rice e Bashir é que as duas figuras estáticas adquiriram vida e voz. Puseram-se a falar e a negociar, cada um em sua língua. Com Helal como fio condutor de voltagem dupla - do árabe para o inglês e vice-versa - eles só não se entenderam porque a agenda de ambos era, mesmo, irreconciliável.

Há ocasiões em que o protocolo permite que uma autoridade se expresse no idioma que lhe convier, dispen-sando a presença de intérpretes. Nesta modalidade, coube ao solteirão e misantropo David H. Souter, quando ainda era juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, usar um recurso incomum para salvar uma noitada formal. Sentado ao lado da esposa do ministro da Economia da Hungria, numa das raras vezes em que compareceu a um jantar solene em Washington, Souter e a húngara descobriram uma ferramenta em comum para atravessar a soirée: conversaram em latim.

Já quando o protocolo é lei e o líder é monoglota, os estilos variam de acordo com a personalidade de cada um. O filho de metalúrgico Leonid Brejnev, que comandou a União Soviética de 1964 a 1982, tinha um conhecimento de línguas estrangeiras restrito a uma única expressão: auf Wiedersehen ("até logo", em alemão), com a qual não apenas se despedia como saudava dignitários de vários quadrantes, inclusive os de língua inglesa.

Outra opção é fazer como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que adquiriu invejável descontração em meio a seus pares poliglotas. Quando a coisa aperta, basta-lhe uma frase para ficar seguro: "Cadê o Sérgio?" O carioca -Sérgio Xavier Ferreira, de 59 anos, for-mado em comunicação social e ciência política, e com 36 anos de métier no currículo, tornou-se intérprete de ocasião de Lula para o inglês (e vice-versa, modalidade chamada de retour, no jargão dos profissionais), bem antes da chegada petista ao poder. Foi durante o encontro mundial da Eco 92, realizado no Rio de Janeiro, que Ferreira se ofereceu para traduzir um discurso preparado por Lula para um dos jantares do evento.

A partir daí, o vínculo foi se estreitando e hoje a química entre o presidente globe-trotter e seu intérprete titular é absoluta. Ele se tornou "o cara" do "cara". Declina ser entrevistado enquanto estiver a serviço da presidência da República. Não apenas ele. Lúcio Reiner, aconselhado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, o jornalista Franklin Martins, também se considerou obrigado a sigilo absoluto até deixar o cargo.

Para um assessor do Palácio do Planalto, a liga entre Sérgio Ferreira e o presidente brasileiro consolidou-se quando Lula, recém-eleito, mas ainda não empossado, empreendeu sua primeira viagem aos Estados Unidos. O encontro de estréia com George W. Bush no Salão Oval da Casa Branca estava marcado para uma terça-feira de inverno em Washington, em 10 de dezembro de 2002. O brasileiro estava tenso, fumava uma cigarrilha atrás da outra - afinal, pisava no país cuja imprensa mais conservadora insistia em retratá-lo como parte de um "eixo Lula-Castro-Chávez", com agenda sindicalista de sotaque esquerdista. Marcel Bouquet, o veterano intérprete do Departamento de Estado para a língua portuguesa, tinha sido convocado para atuar junto a Bush. Sérgio Xavier Ferreira faria o mesmo para Lula.

Pelo formato do encontro, a inter-pretação seguiu a modalidade chamada de "consecutiva", na qual o intérprete primeiro ouve um trecho ou a sentença completa de uma fala, e traduz o que ouviu durante breve pausa do orador, sustentado essencialmente pela memória. Mas não tardou para que o diálogo entre os dois chefes de Estado se tornasse menos protocolar, portanto mais ágil e veloz. A interpretação dupla começou a parecer arrastada e Sérgio achou por bem traduzir tanto as falas de Lula para Bush como as de Bush para Lula - o mencionado retour. Ao final do encontro, o 43º presidente dos Estados Unidos estendeu-lhe a mão e disse: "Parabéns, eu gostaria de cumprimentá-lo pela atuação." Dado que elogios e apreço público a intérpretes são mercadoria rala na profissão, foi um batismo a ser comemorado.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Guia de carreiras: tradutor e intérprete

O aumento do número de eventos no Brasil e o crescimento dos investimentos no país fizeram aumentar as oportunidades de trabalho para tradutores e intérpretes. Um jovem em início de carreira ganha em torno de R$ 2,5 mil e R$ 3 mil em uma empresa e um profissional com boa rede de contatos chega a receber R$ 15 mil.


O trabalho se divide entre a tradução de documentos, textos, contratos, publicações, áudios, filmes e legendas e a interpretação em palestras e eventos.

A tradução falada pode ser simultânea, feita ao vivo com uso de cabine e de equipamentos eletrônicos, ou consecutiva, feita no momento seguinte à fala do palestrante em curtos intervalos de tempo.

O perfil de quem trabalha como tradutor de textos e com interpretação é bem diferente, segundo Pérsio Burkinski, diretor-fundador da Millennium Traduções e Interpretações, cooperativa de profissionais que traduz para inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, sueco e finlandês.

"O tradutor é mais solitário, no sentido que faz trabalho na casa dele ou no escritório. Não precisa ter contato grande com outras pessoas. O intérprete precisa ser pessoa que gosta de se comunicar, de falar com os outros, de interatividade, de estar com outras pessoas", disse Burkinski.

A profissão exige, em primeiro lugar, que a pessoa tenha muita familiaridade com ao menos duas línguas, a língua natal e uma outra. A tradução falada exige ainda um alto nível de concentração, para que seja possível ouvir e traduzir discursos, entrevistas e palestras.

Formado em administração, Burkinski começou a trabalhar como intérprete em uma temporada em que trabalhou em Nova York. Era chamado para atuar no tribunal da cidade em julgamentos de portugueses e de brasileiros. Após morar em outros países, voltou ao Brasil atuando como professor de línguas e tradutor.

Guia de carreiras: administração de empresas Guia de carreiras: agronomia Guia de carreiras: logística Área ambiental expande mercado de trabalho para os biólogos Para entrar na área, que não tem regulamentação, um estudante pode fazer faculdade de tradução e intéprete, letras ou então fazer outra faculdade, mas manter o foco no estudo de línguas.

Quem quer trabalhar com interpretação precisa fazer cursos livres para praticar e estudar a língua todos os dias, já que novas palavras e expressões nascem diariamente. Além disso, segundo o tradutor Eduardo Castelã Nascimento, de 33 anos, que também atua na Millennium, o profissional precisa pesquisar o assunto que vai traduzir para se familiarizar com o vocabulário da área. "O profissional trabalha com pressão e precisa ter uma preparação muito boa", disse.

Os dois profissionais são tradutores juramentados, o que significa que prestaram concurso público em juntas comerciais estaduais e têm permissão para traduzir documentos oficiais, contratos e julgamentos

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tradução e interpretação no Guia do Estudante

Tradução e Interpretação



Bacharelado

É a transposição do significado de textos e de falas de um idioma para outro. O tradutor faz a versão escrita de livros, documentos e textos em geral de uma língua para outra. O intérprete traduz oralmente palestras, discursos, reuniões e videoconferências. Para isso, ambos os especialistas precisam dominar o vocabulário, a gramática, as gírias e as expressões coloquiais do português e de outras línguas. Também é necessário que eles conheçam os costumes, as tradições e a cultura de povos estrangeiros. Podem especializar-se em diversos temas e áreas, como artes, informática, economia, engenharia, direito e medicina, entre outros, lidando com a linguagem e os termos próprios dos vários campos de atuação.

O mercado de trabalho

O mercado continua em crescimento para os tradutores e os intérpretes. Esses profissionais são demandados sobretudo para fazer traduções para as áreas jurídica, comercial, científica e tecnológica e atuam, a maioria, como autônomos. Isso porque são poucas as empresas que os contratam - em geral, apenas importadoras e exportadoras. Os postos de trabalho concentram-se nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde estão localizadas as maiores editoras e a maioria das grandes empresas. Há perspectiva de boas oportunidades em Brasília, em razão do grande número de embaixadas ali sediadas. "Na capital federal, são realizadas inúmeras conferências internacionais e reuniões de cúpula com parceiros estrangeiros", diz a professora Germana Henriques Pereira de Sousa, coordenadora do curso de Letras-Tradução da UnB. Outra área promissora é a de legendagem. "As distribuidoras de filmes e as emissoras de TV paga estão contratando, cada vez mais, o bacharel para traduzir legendas e dar apoio a dublagens de filmes estrangeiros", explica Christian Ares Lapo, coordenador do curso de Tradução e Interpretação da Unisantos. Os melhores salários ainda se encontram na área de interpretação simultânea, em congressos, conferências e palestras internacionais.

Salário inicial: R$ 1.500,00 (valor diário por tradução simultânea em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro; fonte: Sindicato Nacional dos Tradutores).

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