segunda-feira, 23 de maio de 2011

Concurso para tradutor acontece após 30 anos

Até o ano passado, apenas 17 profissionais estavam habilitados para realizar o serviço no Estado


"Uma profissão quase tão antiga quanto o comércio", nas palavras do presidente da Junta Comercial do Ceará (Jucec), Ricardo Lopes, e que ainda assim é pouco conhecida no mercado de trabalho, o ofício de tradutor juramentado recebe um grupo de 40 novos profissionais para atender às demandas do Estado advindas com a Copa de 2014.

Depois de quase três décadas, a Jucec realizou concurso para complementar o quadro de profissionais na área de tradução pública e interpretação comercial. O Estado contava até então com apenas 17 tradutores juramentados, divididos entre as línguas inglesa, espanhola, italiana, francesa, alemã e norueguesa. O último concurso para o cargo havia sido realizado em 1982.

"Esse é um número muito pequeno, na verdade, tendo em vista o atual crescimento do nosso Estado com a chegada de, cada vez mais, empresas e indústrias estrangeiras que querem investir aqui e necessitam desse serviço. A Copa de 2014, certamente também trará novas demandas. Esse foi um concurso realizado pensando no presente e no futuro da cidade", avalia Ricardo Lopes, presidente da Junta Comercial.

Segundo o presidente da Associação dos Tradutores Públicos do Estado do Ceará (Acetesp), César Oliveira de Barros Leal, era importante, a realização de um novo concurso porque a pequena quantidade de tradutores, principalmente de inglês, também sobrecarregava os profissionais. "Existe uma demanda muito grande para inglês. Alguns dos colegas já não mais traduzem, então a demanda ficou reduzida a um número de dois ou três tradutores que ficaram sobrecarregados. Não podemos esquecer também que o Ceará de hoje não é o mesmo de 30 anos atrás", ressalta.

O novo concurso objetivava, além do preenchimento de 66 vagas, oferecer tradutores juramentados em três novas línguas, mandarim, japonês e holandês, que não tiveram seu número de vagas preenchido.

Segundo Ricardo Lopes, o alto nível das provas é o principal motivo pelo qual nem todas as vagas foram preenchidas. Ainda assim, de acordo com ele, os 40 aprovados já serão suficientes para suprir as necessidades do serviço no Estado. "Esse é um concurso difícil, com um nível extremamente elevado. O importante é que as línguas mais demandadas foram supridas", afirma o dirigente.

A profissão

Regulamentada por um decreto de 1943, o ofício de tradutor juramentado ainda é pouco conhecido. Esse profissional está apto oficialmente para fazer traduções de documentos estrangeiros de fins judiciais, financeiros, escolares ou pessoais que precisam ter validade oficial e legal perante órgãos e instituições públicas. Procurações e escrituras públicas são exemplos de documentos que passam pelas mãos dos tradutores.

BOA REMUNERAÇÃO

Profissional aprovado assume cargo vitalício

É uma profissão de extrema responsabilidade pela natureza dos documentos que traduzem. É preciso se ter um domínio pleno da língua a ser traduzida e da língua para qual se traduz, além do conhecimento dos temas sobre os quais essas traduções versam. Isso exige muito do tradutor público, o documento traduzido substitui o original", explica César Barros, presidente da Acetesp.


Como um cargo vitalício, para exercer o ofício é necessária a aprovação em concurso público, que deve ser realizado pela Junta Comercial. Mas, apesar disso, o tradutor juramentando não é funcionário público.

A aprovação lhe dá apenas a autorização do Estado para emitir documentos, no caso traduções, com fins legais sem precisar da autenticação de uma autoridade pública.

Liberal

"O tradutor é um profissional liberal fiscalizado pela Junta Comercial. Existe uma tabela de preços que ele pode cobrar pelos serviços de tradução, atendendo a uma legislação e obedecendo a um preço tabelado", explica Ricardo Lopes.

De acordo com César Barros, dificilmente um tradutor mantém somente este ofício. Muitos seguem paralelamente outras carreiras e cumprem suas funções de intérpretes públicos, sem problemas.

REGINA PAZ
REPÓRTER

Diário do Nordeste