Há 50 anos, o organizador do Holocausto, Adolf Eichmann, foi condenado à morte. Ruth Levy-Berlowitz, que vivenciou o processo como intérprete, entregou agora à Casa da História, em Bonn, seu exemplar do veredicto. Trata-se aparentemente apenas de dois pacotes de papel: um contendo documentos em hebraico, outro em alemão. O significado dos mesmos é, contudo, enorme, pois eles são o testemunho de um acontecimento internacional, veiculado pela mídia e único para a época: o processo contra o tenente-coronel da SS, Adolf Eichmann, iniciado em abril de 1961 e concluído na noite do 31 de maio para o 1° de junho de 1962, com a condenação do réu à morte por enforcamento.
A intérprete Ruth Levy-Berlowitz, que nasceu em Dresden em 1925 e fugiu em 1936 com seus pais da Alemanha nazista, desempenhou no processo um papel especial. Com sobriedade e lembranças extremamente precisas, ela relata como reagiu quando recebeu a proposta de servir de intérprete durante o processo. "Pedi um tempo para pensar e contei para meu marido. Ele me disse: 'Você não é normal, para usar um termo ameno'", recorda Levy-Berlowitz. A família quis afastá-la da ideia de assumir a função, mas a tradutora viu na incumbência um desafio. Afinal, ela era uma intérprete profissional. Além do fato de que tinha também certa curiosidade e certo "espírito aventureiro", como confessa hoje.
Respirando o horror
Ruth Levy-Berlowitz resolveu testar seus próprios limites. Ela teve acesso aos documentos relativos aos depoimentos de Eichmann e se isolou num hotel de Tel Aviv. "Vivi, comi e dormi Eichmann. Me distanciei de todos os outros hóspedes. E tentei detectar se tudo teria um peso sobre mim, se Eichmann me perseguiria no sono, no sonho", relata. Como isso não ocorreu, essa mulher robusta, com seu jeito lacônico, aceitou a incumbência de traduzir, do hebraico para o alemão, os depoimentos das testemunhas de acusação de Eichmann e de seu defensor.
Durante meses, ela passou oito horas por dia susurrando para Eichmann, através de um fone de ouvido, sempre por 20 minutos ininterruptos: e sempre de maneira profissional, sem se alterar emocionalmente, buscando palavras para descrever o horror. Somente nos 20 minutos, nos quais outro intérprete assumia a tradução, é que ela conseguia se dar conta, de fato, do que havia sido dito. Mesmo assim, Levy-Berlowitz permanecia inabalada.
E Eichmann, que sentimentos demonstrava? "Nenhum. Lá ficava sentado como que petrificado dentro de uma redoma de vidro, ladeado por dois seguranças mudos", relembra a intérprete. Segundo ela, a cena parecia irreal, quase surrealista. "O fato de que minhas palavras chegavam a ele em tom de sussurro, sem causar qualquer impacto, era para mim muitas vezes algo incômodo", diz Levy-Berlowitz.
A importância histórica da sentença contra Eichmann
A tradutora se protegia internamente. Quando deixava o prédio do tribunal, começava para ela outra vida. "Depois que o processo acabou, jurei para mim mesma que nunca teria mais nada a ver com Eichmann", relembra. E foram necessários alguns anos até que ela conseguisse novamente falar de novo sobre o Holocausto. "Cheguei ao ponto de ter cumprido minha obrigação perante a Shoá", fala Levy-Berlowitz.
Para a sociedade alemã do pós-guerra, o processo apenas começava: depois de 15 anos de sublimação de todo o ocorrido, as pessoas na então Alemanha Ocidental não podiam mais continuar ignorando o passado nazista. "Pela primeira vez, os crimes hediondos do regime passaram a ser assunto entre a opinião pública", diz Hans Walter Hütter, diretor da Casa da História, em Bonn.
De forma que o veredicto contra Eichmann foi um testemunho histórico em três sentidos: como narrativa da história do Holocausto e de sua elaboração tanto em Israel, quanto na Alemanha. Quando Hütter soube que este documento único seria entregue à Casa da História, mal pôde conter sua emoção. "Dietmar Preissler, que trabalha comigo, chegou um dia ao meu escritório, demonstrando certa ansiedade, e disse que seria possível obter esses documentos", recorda Hütter. A partir daí foram feitos todos os esforços em prol de uma transferência dos papéis o mais rápido possível.
Banalidade do mal?
A sentença de condenação de Eichmann terá em breve seu lugar fixo na exposição permanente da Casa da História, ao lado do vídeo de uma entrevista com Ruth Levy-Berlowitz. Hannah Arendt, a filósofa de origem judaico-alemã, compareceu ao processo em 1961 enviada pela revista The New Yorker, tendo publicado posteriormente suas observações no livro Eichmann em Jerusalém. Um relato sobre a banalidade do mal. Levy-Berlowitz não chegou a conhecer Arendt, pois exatamente na semana em que a filósofa acompanhou o processo, a tradutora esteve doente, com uma amigdalite.
"Foi minha única ausência durante todo o processo", conta Levy-Berlowitz. Sua substituta, contratada às pressas, fez um trabalho medíocre, diz a intérprete. E exatamente nesta semana Hannah Arendt acompanhou o processo. "Ela nunca ouvia a tradução completa, nada do que vinha depois. Seu livro baseia-se em uma única semana de julgamento", fala a tradutora.
Quem foi Eichmann?
Para Levy-Berlowitz, Eichmann nunca despertou, contudo, a sensação de "banalidade". O adjetivo escolhido por Arendt, segundo a intérprete, não é adequado. "Ele era um homem baixo e horrendo", relembra. Dietmar Preissler, diretor de coleções da Casa da História, afirma que Eichmann não era o "homem comum" descrito pela filósofa. "Admiro Hannah Arendt por várias coisas, mas neste ponto não concordo com ela. Há muitos historiadores que também compartilham minha opinião", fala Preissler.
Segundo ele, Eichmann esteve altamente envolvido na preparação do Holocausto. E o processo provou que ele carregava essa responsabilidade não apenas como um algoz de escrivaninha, que dava ordens à distância. "Nas sessões do tribunal, ele tentou se colocar como um parafuso no maquinário nazista, como alguém que somente acatava ordens. Mas através de outros depoimentos fica claro que ele era um algoz convencido daquilo que fazia", aponta Preissler.
Ruth Levy-Berlowitz lembra com sobriedade o que sentiu quando deu a Eichmann a notícia sobre sua sentença de morte: "cumpri minha obrigação", diz ela, dando mostras de que mantém até hoje sua postura profissional de intérprete.
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terça-feira, 19 de junho de 2012
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
TVs búlgaras destacam irritação de Dilma com tradutora
A comparação da presidente Dilma Rousseff com seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e a irritação da brasileira com uma tradutora durante seu discurso foram tema das três principais emissoras de televisão da Bulgária. Ela realiza uma visita oficial de dois dias ao país, em uma viagem que passou anteriormente pela Bélgica.
Um grupo de taxistas se reuniu no saguão de um hotel da capital para assistir às imagens do encontro entre ela e o presidente da Bulgária, Georgi Parvanov. Durante seu pronunciamento, a brasileira ficou visivelmente irritada com a tradutora búlgara, que por diversas vezes interrompia Dilma antes que a presidente terminasse suas frases.
Em alguns momentos, e diante dos olhares dos mais de 80 jornalistas brasileiros e búlgaros que cobriam o discurso, Dilma corrigiu a tradutora quando percebeu que algumas palavras (com som parecido com o latim) não haviam sido traduzidas corretamente. Outra emissora, ao chamar Dilma de "dama de ferro", provocou gargalhadas nos taxistas. O canal ainda frisou o momento em que a tradutora mais a irritou, quando a interrompeu por duas vezes na mesma frase antes que a terminasse. "O olhar penetrante da presidente brasileira certamente deixou a tradutora ainda mais nervosa", afirmou o canal.
Terra notícias
Um grupo de taxistas se reuniu no saguão de um hotel da capital para assistir às imagens do encontro entre ela e o presidente da Bulgária, Georgi Parvanov. Durante seu pronunciamento, a brasileira ficou visivelmente irritada com a tradutora búlgara, que por diversas vezes interrompia Dilma antes que a presidente terminasse suas frases.
Em alguns momentos, e diante dos olhares dos mais de 80 jornalistas brasileiros e búlgaros que cobriam o discurso, Dilma corrigiu a tradutora quando percebeu que algumas palavras (com som parecido com o latim) não haviam sido traduzidas corretamente. Outra emissora, ao chamar Dilma de "dama de ferro", provocou gargalhadas nos taxistas. O canal ainda frisou o momento em que a tradutora mais a irritou, quando a interrompeu por duas vezes na mesma frase antes que a terminasse. "O olhar penetrante da presidente brasileira certamente deixou a tradutora ainda mais nervosa", afirmou o canal.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
DG Interpretation bursaries
Do you want to become a conference interpreter ? You may be eligible for a study bursary from the Directorate General for Interpretation
IF
•you are a national of an EU Member State or of one of the candidate countries (Croatia, FYROM, Iceland and Turkey);
•you already have a university degree or equivalent qualification, or are in the final year of a course leading to a university degree or equivalent qualification;
•you have one of the following language combinations:
1. Excellent command of your mother tongue, and a perfect understanding of
a) at least one of the following languages : Dutch, English, French, German, Italian, Portuguese, Spanish and
b) of one or more of the following languages : Bulgarian, Czech, Danish, Estonian, Finnish, Greek, Hungarian, Irish, Latvian, Lithuanian, Maltese, Polish, Romanian, Slovak, Slovene, Swedish or of the language of a candidate country (Croatian, Macedonian, Icelandic, Turkish);
2. Excellent command of two languages (to mother tongue level) of which one is a language mentioned under 1.a above and the other one of the languages mentioned under 1.b ;
3. Excellent command of your active language and a perfect understanding of at least two of the languages mentioned under 1.a ;
AND IF
you have applied or intend to apply for a full postgraduate course in conference interpreting offered for the year 2011/2012 by a recognised university or university-level institution
Then you may apply for a Study BURSARY from the Directorate General for Interpretation.
In granting study bursaries, preference will be given to applicants offering a language combination which is most suited to DG Interpretation’s current and foreseeable requirements, in particular those with languages of the countries which joined the EU since 2004 or of the candidates countries and with less widely spoken EU languages. Assessment will be based on your full language combination, as well as other qualifications or expertise;
Please, note that
•Candidates who have received a bursary and pass their final examinations must undertake to sit an inter-institutional accreditation test and if successful, to give the EU Institutions first call upon their services for a period of three years;
•DG Interpretation bursary is intended as a contribution towards study expenses, but not necessarily covering all costs. It can be combined with additional funds provided by the university, by the Member State or by other public or private bodies;
•DG Interpretation bursary holders may not benefit at the same time from other bursaries or allowances offered by the European Union.
•Abandoning the course voluntarily during the postgraduate year may make you liable to repay all or part of the bursary;
•Subsequent recruitment as a freelance interpreter by DG Interpretation depends on the applicant's passing their final examinations and the relevant inter-institutional accreditation test;
•In awarding bursaries, DG Interpretation will endeavour to maintain an appropriate gender balance;
•Where the postgraduate course is of more than one-year duration, only final year students will be eligible.
Check out the selection procedures
IF
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terça-feira, 17 de maio de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Fina sintonia - Intérpretes são testemunhas privilegiadas da história. E costumam guardar segredos com rigor maior do que padres, médicos ou mordomos
Por: Dorrit Harazim
O encontro bilateral de alto nível começara de forma constrangedora. Sentados lado a lado no salão presidencial de Cartum, a capital do Sudão, o presidente Omar Hassan Bashir e a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice permaneciam mudos. Mal se moviam e evitavam se olhar. Estavam condenados ao silêncio. Do lado de fora, o intérprete Gamal Helal, única pessoa habilitada a descongelar aquela cena, se debatia para furar o cerco da segurança palaciana. A sina dos intérpretes é essa mesma: tendem a ser tão indispensáveis quanto desconhecidos. Só quando Helal conseguiu aninhar-se entre Rice e Bashir é que as duas figuras estáticas adquiriram vida e voz. Puseram-se a falar e a negociar, cada um em sua língua. Com Helal como fio condutor de voltagem dupla - do árabe para o inglês e vice-versa - eles só não se entenderam porque a agenda de ambos era, mesmo, irreconciliável.
Há ocasiões em que o protocolo permite que uma autoridade se expresse no idioma que lhe convier, dispen-sando a presença de intérpretes. Nesta modalidade, coube ao solteirão e misantropo David H. Souter, quando ainda era juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, usar um recurso incomum para salvar uma noitada formal. Sentado ao lado da esposa do ministro da Economia da Hungria, numa das raras vezes em que compareceu a um jantar solene em Washington, Souter e a húngara descobriram uma ferramenta em comum para atravessar a soirée: conversaram em latim.
Já quando o protocolo é lei e o líder é monoglota, os estilos variam de acordo com a personalidade de cada um. O filho de metalúrgico Leonid Brejnev, que comandou a União Soviética de 1964 a 1982, tinha um conhecimento de línguas estrangeiras restrito a uma única expressão: auf Wiedersehen ("até logo", em alemão), com a qual não apenas se despedia como saudava dignitários de vários quadrantes, inclusive os de língua inglesa.
Outra opção é fazer como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que adquiriu invejável descontração em meio a seus pares poliglotas. Quando a coisa aperta, basta-lhe uma frase para ficar seguro: "Cadê o Sérgio?" O carioca -Sérgio Xavier Ferreira, de 59 anos, for-mado em comunicação social e ciência política, e com 36 anos de métier no currículo, tornou-se intérprete de ocasião de Lula para o inglês (e vice-versa, modalidade chamada de retour, no jargão dos profissionais), bem antes da chegada petista ao poder. Foi durante o encontro mundial da Eco 92, realizado no Rio de Janeiro, que Ferreira se ofereceu para traduzir um discurso preparado por Lula para um dos jantares do evento.
A partir daí, o vínculo foi se estreitando e hoje a química entre o presidente globe-trotter e seu intérprete titular é absoluta. Ele se tornou "o cara" do "cara". Declina ser entrevistado enquanto estiver a serviço da presidência da República. Não apenas ele. Lúcio Reiner, aconselhado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, o jornalista Franklin Martins, também se considerou obrigado a sigilo absoluto até deixar o cargo.
Para um assessor do Palácio do Planalto, a liga entre Sérgio Ferreira e o presidente brasileiro consolidou-se quando Lula, recém-eleito, mas ainda não empossado, empreendeu sua primeira viagem aos Estados Unidos. O encontro de estréia com George W. Bush no Salão Oval da Casa Branca estava marcado para uma terça-feira de inverno em Washington, em 10 de dezembro de 2002. O brasileiro estava tenso, fumava uma cigarrilha atrás da outra - afinal, pisava no país cuja imprensa mais conservadora insistia em retratá-lo como parte de um "eixo Lula-Castro-Chávez", com agenda sindicalista de sotaque esquerdista. Marcel Bouquet, o veterano intérprete do Departamento de Estado para a língua portuguesa, tinha sido convocado para atuar junto a Bush. Sérgio Xavier Ferreira faria o mesmo para Lula.
Pelo formato do encontro, a inter-pretação seguiu a modalidade chamada de "consecutiva", na qual o intérprete primeiro ouve um trecho ou a sentença completa de uma fala, e traduz o que ouviu durante breve pausa do orador, sustentado essencialmente pela memória. Mas não tardou para que o diálogo entre os dois chefes de Estado se tornasse menos protocolar, portanto mais ágil e veloz. A interpretação dupla começou a parecer arrastada e Sérgio achou por bem traduzir tanto as falas de Lula para Bush como as de Bush para Lula - o mencionado retour. Ao final do encontro, o 43º presidente dos Estados Unidos estendeu-lhe a mão e disse: "Parabéns, eu gostaria de cumprimentá-lo pela atuação." Dado que elogios e apreço público a intérpretes são mercadoria rala na profissão, foi um batismo a ser comemorado.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Intérprete no governo Dilma
A presidenta eleita Dilma Rousseff também precisará de tradutor em seu governo. Logo Sérgio Xavier Ferreira é o primeiro a garantir seu emprego a partir do ano que vem.
No entanto, como pretende manter sua agenda de viagem para estabelecer o diálogo com a comunidade internacional, o presidente Lula continuará necessitando de seu fiel escudeiro.
Leia na fonte
No entanto, como pretende manter sua agenda de viagem para estabelecer o diálogo com a comunidade internacional, o presidente Lula continuará necessitando de seu fiel escudeiro.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Mundo afora, Sérgio Xavier fala e ouve pelo presidente, guarda segredos de Estado e ganha status no poder
Entre um chope no Bracarense, no Leblon, e o vôlei de praia em Ipanema, o carioca Sérgio Xavier sempre rezou pela cartilha da esquerda. Com parentes perseguidos pela ditadura militar, dedicou-se ao movimento sindical, à construção do PT no Rio de Janeiro e abraçou causas sociais, como a campanha contra a fome liderada por Hebert de Souza, o Betinho. Aos 42 anos, formado em comunicação social, resolveu arriscar uma virada na vida. A oportunidade surgiu num jantar oferecido pelo então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, a mais de 100 ONGs internacionais, durante a ECO-92, a conferência sobre meio ambiente. Ofereceu-se para traduzir o discurso do então sempre candidato da legenda ao Palácio do Planalto. Lula gostou do resultado e, dois anos depois, levou o intérprete para um encontro com o líder africano Nelson Mandela. Hoje, Xavier é o intérprete oficial da Presidência da República. A rotina carioca do chopevôlei deu lugar a uma agenda repleta de compromissos oficiais e coquetéis com chefes de Estado.
A bordo do Aerolula, Xavier conheceu mais países do que poderia sonhar e passou a conviver com líderes mundiais. Em maio, durante a reunião do G-20 em Londres, seu rosto ganhou as manchetes quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou Lula de "o cara". Coube a ele traduzir a gíria americana. Na semana passada, acompanhou o giro presidencial pela Suíça, Rússia e Casaquistão. Na reunião dos BRICs, além dos encontros pessoais, teve o desafio de fazer traduções simultâneas de cabine, do inglês para o português. Com a relevância da função, vem o assédio. Ao servir de boca e ouvidos do presidente Lula mundo afora, inclusive nas conversas particulares com autoridades estrangeiras, Xavier se tornou o interlocutor mais cobiçado de Brasília por assessores, ministros e jornalistas. Todos tentam arrancar do tradutor algum segredo de Estado. Mas, sempre discreto e fiel aos princípios da profissão, ele apenas sorri e desconversa. Quando pressionado, cala-se.
O assunto é tabu, mas é quase certo que Xavier tenha assinado um termo de confidencialidade com a Presidência, já que não está sujeito ao sigilo funcional de um servidor público. "Acredito que o Sérgio tenha assinado um contrato que exige o sigilo", afirma Elizabeth Thompson, presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra), do qual Xavier já foi vice-presidente. Com ou sem contrato, Lula confia cegamente nele, afinal são 17 anos de amizade. Os dois compartilham também as convicções políticas. Xavier é militante do PT e por dez anos fez trabalho voluntário de tradução para o partido. Em 2006, doou R$ 7 mil para a campanha de Jaques Wagner ao governo da Bahia, cuja família é do Rio.
Apesar do engajamento político, Xavier defende a ideia de que o intérprete seja "neutro para inspirar confiabilidade". Um mandamento nem sempre cumprido. "Num regime de esquerda, seja em países orientais, seja em ocidentais, o intérprete oficial faz certas censuras, ou poderíamos dizer aparos, durante seu trabalho", explicou, numa rara entrevista concedida à colega Tereza Braga, da American Translator Association (ATA), em 2004. O conhecimento profundo do sindicalismo ajuda Xavier a traduzir expressões como "rank and file", termo para designar a massa dos trabalhadores, a base abaixo dos dirigentes sindicais e dos líderes políticos. Em 2003, ele coordenou uma equipe de 120 intérpretes no Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Aos 59 anos, que completa agora em julho, costuma comentar com amigos que um dos pontos altos de seu currículo foi ter trabalhado com Betinho no Ibase.
Durante quase uma década Xavier não cobrou por seus trabalhos. Só passou a faturar quando Lula chegou à Presidência. De 2004 a 2009, recebeu R$ 335 mil da Presidência, segundo dados da Controladoria Geral da União. Por meio de sua empresa, a Global Multilíngue, também convoca intérpretes para ajudar com outros idiomas. No caso das traduções de francês e espanhol, chama o consultor legislativo Lucio Reiner. Quando o idioma é o russo, entra em cena Luiz Carlos Prestes Filho. Um dos filhos do Cavaleiro da Esperança, Prestinho, como é conhecido, presenciou os encontros de Lula com Vladimir Putin. E na semana passada acompanhou o presidente Lula no encontro dos BRICs em Ecaterimburgo e na visita ao Casaquistão.
"Minha maior alegria é ser o que alguns colegas chamam de 'a voz do Brasil' ou 'dublê', como me qualificou o presidente ao me apresentar num evento nos EUA", disse Xavier à ATA. A principal dificuldade de sua função, segundo ele, é romper as barreiras dos seguranças para ter acesso a Lula durante eventos internacionais. Vez ou outra, o próprio presidente intervém para impedir que ele seja barrado. A tradutora Liane Lazoski, que começou a carreira fazendo eventos empresariais ao lado de Xavier, diz que o amigo "é extremamente metódico e disciplinado". "Ele está num posto almejado por todos. Mas também tem uma responsabilidade sem igual. Acho dificílimo fazer o que ele faz", diz Liane.
Um dos maiores desafios é ser fiel às expressões e piadas usadas por Lula. No primeiro encontro que teve com Barack Obama, na Casa Branca, em março, o presidente disse que o americano tinha um "pepino" nas mãos, ao assumir os EUA em plena recessão. Xavier não encontrou no inglês algo similar à expressão brasileira. Disse apenas que Lula"não queria estar na sua posição".
Na visita a Windhoek, na Namíbia, em 2003, o presidente declarou que quem chegava à cidade nem parecia que estava na África porque "poucas cidades do mundo eram tão limpas, tão bonitas". O intérprete omitiu a palavra "limpa", que poderia ser entendida como uma ofensa ao continente.
Embora a imprensa brasileira tenha destacado a gafe de Lula, naquele momento, diante das autoridades do país, Xavier mostrou que seu papel, hoje, é muito mais importante do que aparenta. É, às vezes, diplomático.
Istoé - postado em http://wwwterrordonordeste.blogspot.com/
quinta-feira, 26 de março de 2009
A intérprete Clare está na final da disputa pelo 'melhor emprego do mundo'
Com 151.676 votos, a mergulhadora e intérprete Clare, de Taiwan, ganhou a eleição via internet para ir para a final da disputa da vaga de "zeladora" da ilha paradisíaca de Hamilton, na Austrália, anunciada pelo governo local como o "melhor emprego do mundo". Agora, a taiwanesa vai disputar o cargo com outros 11 finalistas, selecionados pelo departamento de turismo australiano. Eles serão entrevistados pelo Departamento de Turismo do estado e o nome do escolhido para a vaga será anunciado no próximo dia 6 de maio.
Veja o vídeo: http://www.islandreefjob.com/#/Clare
O Globo Online
Veja o vídeo: http://www.islandreefjob.com/#/Clare
O Globo Online
sexta-feira, 13 de março de 2009
CALDERÓN NEGA TER DITO QUE SEU TRABALHO É 'UM INFERNO'
CIDADE DO MÉXICO, 1 FEV (ANSA) - O presidente do México, Felipe Calderón, negou ter comparado seu trabalho ao "inferno", e disse que não usou esta palavra em nenhum momento durante um debate do qual participou no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Em um comunicado oficial, a Presidência da República culpou a profissional que fez a tradução simultânea das palavras de Calderón durante o debate "Imperativos econômicos da América Latina". Segundo a nota, a tradutora cometeu "uma série de imprecisões na interpretação". Para esclarecer a polêmica, o texto explica que, quando o presidente se referiu à época em que era líder da oposição e a comparou aos dias atuais, afirmou que "estar na oposição é como estar no céu, mas quando você está no governo, é como estar em terra firme". O problema teria ocorrido quando a tradutora usou a palavra "inferno" para se referir à segunda parte da frase. Participavam do debate o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e o ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo. Calderón lembrou seu passado político quando foi questionado por Zedillo, que governou o país entre 1994 e 2000, quando o atual presidente era o principal líder da oposição. (ANSA)
01.02.2009
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