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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Contos angolanos lançados em Cuba

Uma "Antologia de Contos Angolanos" de 39 narradores traduzida para espanhol foi lançada no domingo, na Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, em Havana.

Publicado com a chancela cubana da Editorial Arte e Literatura, na colecção Orbis, no âmbito da 20ª edição da Feira Internacional do Livro de Havana, que decorre de 10 a 20 deste mês, o livro reúne, nas suas 239 páginas, contos de escritores relevantes no panorama literário angolano, por abarcarem um amplo espectro generalizado e demonstrarem a existência de uma cultura sólida, expoente da indiscutível identidade cultural.

Entre os autores constam nomes como Agostinho Neto (Naúsea), Arnaldo Santos (La liberación de los hombres-jinzéu), Boaventura Cardoso (El gavilán vino del sur y…!pum!), Cornelio Caley (La rueda de Tchingadu), Costa Andrade (La planta decorativa), David Mestre (El reloj de bolsillo), Jofre Rocha (El drama de Vavó Tutúri), Manuel Rui (La caja de cerveza), Ondjaki (La bosla va lejos), Óscar Ribas (El alma), Pepetela (Extraños pájaros de alas abiertas), Raul David (Dramas de las tierras de cultivo) e Uanhenga Xitu (Solo entre mujeres).

Na apresentação da obra, António Fonseca, director do Instituto Nacional das Indústrias Culturais, escreve que a selecção de contos foi feita para dar a conhecer a literatura angolana aos "irmãos" cubanos. "Este é o género narrativo que melhor corresponde à prática da ancestralidade oral e é o de mais ampla utilização na literatura tradicional", acrescentando que a narrativa "é mais fácil aos leitores cubanos no processo de comunicação, recepção e descodificação da mensagem". Na ocasião, o adido cultural da Embaixada de Angola em Cuba, António Gonçalves, disse não ser novidade que a narrativa, mais exactamente o conto, é a arte literária mais representativa do continente africano, pelo que, no caso de Angola, a narração surge com o livro "Nga Muturi", publicado por Alfredo Troni, em 1882. "Nga Muturi’ saiu a público em Lisboa, publicado pelo jornal "Diário da Manhã" em forma de folhetim; contendo sete capítulos e com 30 páginas aproximadamente. É pois evidente que em 2012 estaremos a celebrar o 130º aniversário do surgimento da narrativa em Angola", disse o também escritor, sublinhado que em 2014 Angola celebrará 165 anos de existência da poesia escrita em língua portuguesa.

Referiu que a narrativa angolano viria a consolidar-se com a publicação de dois livros: "Segredo da Morta", romance de costumes angolanos, de António de Assis Júnior (1935), e "Uanga" (Feitiço), romance folclórico de Óscar Ribas (1951). Segundo António Gonçalves, as grandes referências da narrativa angolana moderna deram-se a conhecer nas décadas de 60, 70 e 80, com Luandino Vieira ("A Cidade e a Infância"), Pepetela "As Aventuras de Ngunga" (1973) e Manuel Rui "Quem me dera ser Onda" (1982).

Para a estudiosa cubana Dominica Diez, que fez a tradução da obra, assumir a tradução da antologia – sem ser um lugar-comum – foi uma grande responsabilidade, entre outras coisas, pelo curto espaço de tempo de três meses que teve para traduzir os contos e pelo prestígio literário dos autores da antologia, que são merecedores de uma cuidadosa interpretação das suas obras.

Referiu que para isso foi necessário incrementar a busca de soluções alternativas devido à abundância de termos em língua nativa africana, que não são do seu domínio, pelo que contou com o apoio, entre outros, de António Fonseca, António Gonçalves, Dina Sarracino Rivero, e dos estudantes angolanos do Instituto Superior de Artes cubano (ISA), Emanuel Mendes, Bruno Manuel Neto, Gomes Domingos e Armando Zibumgana.

A cerimónia de lançamento da "Antologia de Contos Angolanos", que coincidiu com a apresentação pelo linguista e tradutor cubano, Rodolfo Alpizar, do livro "Jaime Bunda, o Agente Segredo", de Petelela, em espanhol, foi presidida pelos ministros da Cultura de Angola e de Cuba, Rosa Cruz e Silva e Abel Prieto Jiménez, respectivamente.

Os dois governantes mostraram interesse na publicação de obras literárias de autores dos dois países traduzidas quer em português quer em espanhol.

Ontem, foi ainda lançada uma outra obra de autoria angolana, traduzida em espanhol. Trata-se do livro "As aventura de Ngunga", de Petetela, primeiro escritor angolano agraciado com o Prémio Camões e autor de uma vasta obra, com destaque para "Mayombe", "Yaka", "O Cão e os Calus", "Lueji" e "A Geração da Utopia".



Último dia da visita



A delegação cultural angolana, chefiada pela titular da pasta, Rosa Cruz e Silva, termina hoje a sua visita de seis dias a Cuba, no âmbito do reforça da cooperação entre os dois países no domínio da Cultura.

Antes de deixar o país, a delegação angolana tem, no período da manhã, um encontro com o historiador de Havana, Eusebio Leal Spengler, e vai assinar o suplemento de actualização do acordo bilateral. Depois, na altura da partida, terá uma cerimónia despedida no aeroporto José Martí, presidida pelo vice-ministro da cultura cubana, Rafael Bernal

Domingo, a comitiva angolana visitou o projecto cultural comunitário "Cabildo Quissicuaba", no centro de Havana, dedicado ao desenvolvimento cultural das comunidades mais carenciadas. Segundo o seu presidente, Enrique Alemán Gutierrez, o projecto trabalha com crianças, idosos, reclusos, toxicodependentes e doentes com sida, com vista à sua reinserção na sociedade.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Documentário "Língua: Vidas em português"

"Língua - Vidas em Português" é um documentário de 105 minutos co-produzido por Brasil e Portugal e filmado em seis países (Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão). Dirigido por Victor Lopes, o longa-metragem é um mergulho nas muitas histórias das língua portuguesa e na sua permanência entre culturas variadas do planeta. Em "Língua", a lusofania é sobretudo fala, surpreendida do cotidiano de personagens ilustres e anônimos de quatro continentes. Em cada um deles, o português amalgamou deuses, melodias, climas, ritmos. Misturou-se aos alimentos e às paisagens. Foi reinventado centenas de vezes e alimentado por sucessivas de colonizadores, imigrantes e descendentes.


Em Portugal e Moçambique, no Brasil e em Goa, desenham-se os quadrantes de uma herança portuguesa, sempre surpreendente e permanentemente renovada. Acompanhando as trajetórias de seus personagens, e ouvindo suas experiências e sensações, suas memórias e esperanças diante do futuro, o documentário reproduz o movimento de uma língua que ganhou o mundo e que refaz seus caminhos na expectativa de se reencontrar.

Por isso, o filme é um documentário permanentemente em trânsito. Ao entrar e sair da vida dos personagens, o filme desvia-se das suas rotas cotidianas para encontrar cerimônias, casais, locais de trabalho, esquinas e paisagens, traçando retratos reveladores da cultura de cada um dos países visitados.

Entrevistados: José Saramago, Mia Couto, João Ubaldo Ribeiro, Martinho da Vila e MadreDeus.

Alma Carioca

Panorama BBC Especial discute o acordo ortográfico

O acordo ortográfico, que pretende unificar a escrita em todos os oito países de língua portuguesa e projetar o idioma no cenário internacional, entrou em vigor no Brasil no início do ano sem muito alarde. Mas em outras partes do mundo lusófono, a reforma provoca polêmica.


Neste debate da BBC Brasil, discutimos quem ganha e quem perde com as alterações na grafia. O programa conta com comentários enviados por leitores do nosso site e com a participação do linguista Malaca Casteleiro, que trabalhou na elaboração do acordo representando Portugal; da professora da Universidade de Lisboa Maria Alzira Seixo, uma das signatárias da petição contra a reforma; do escritor angolano José Eduardo Agualusa e da diretora da Associação Nacional de Editores de Livros do Brasil, Sonia Machado.

Panorama BBC Brasil